Faz algum tempo que a palavra “crise” está incorporada não apenas ao vocabulário, mas também ao dia a dia dos brasileiros. Notícias desagradáveis são anunciadas a todo instante pelos meios de comunicação e passam a fazer parte das nossas conversas diárias. Os efeitos disso sobre o comportamento das pessoas talvez seja uma das piores consequências que poderíamos enfrentar. Assim, soluções podem parecer ainda mais difíceis e distantes.

Se por um lado os governantes buscam alternativas para melhorar os números da economia e resgatar a confiança dos brasileiros, de nossa parte, não podemos ficar parados esperando resoluções e nos adaptando ao que for imposto. Temos que assumir nosso papel.

Não existe uma fórmula para se enfrentar momentos difíceis – até porque as crises têm causas diferentes – mas algumas reflexões são importantes. Apenas falar, reclamar e questionar não são comportamentos que nos afastam dos efeitos negativos que vêm com os momentos de instabilidade: precisamos é ter planejamento, foco e agir, mesmo que às vezes seja necessário adotar comportamentos diferentes daqueles que usamos tradicionalmente. Substituir a expressão ‘É difícil’ por ‘É um desafio’, e conjugar o verbo ‘conseguir’ no lugar de ‘tentar’ é um caminho.

Um bom primeiro passo é focar no nosso objetivo final e, se necessário, estabelecer metas, com etapas que deverão ser vencidas sem superestimar nossa capacidade de ação. Não é preciso dar grandes passos, mas é fundamental continuar caminhando.

Nesses momentos, liderança é essencial. Os bons líderes falam e, sobretudo sabem ouvir e motivar seus colaboradores. Conversando, conhecem necessidades, anseios e realidades, o que torna possível identificar problemas e implantar estratégias que tornem o ambiente de trabalho mais agradável, onde os colaboradores sintam-se parte da empresa e valorizados pelos conhecimentos individuais.

E não é novidade para ninguém que pessoas valorizadas são mais felizes e produzem melhor. Isso é gerir comportamentos.

Grandes investimentos – sejam eles em estrutura, equipamento, equipe ou marketing – nem sempre geram resultados rápidos e vultosos, e por isso empresários, gerentes e diretores têm que ter uma visão mais ampla, identificar os melhores momentos e as melhores formas de agir.

Mesmo com as dificuldades, o mercado ainda gira, as pessoas consomem e o trabalho existe. A necessidade de concentração e dedicação a este trabalho é que talvez esteja muito maior, exigindo mais proximidade de nossos colaboradores e clientes: personalização e humanização passam a ser fundamentais.

Não devemos fechar os olhos para as dificuldades, mas sim olhar a partir de uma nova perspectiva para as situações que surgem, identificando em pequenas ações, soluções incomuns para estes momentos com dificuldades variadas, que muitos insistem em resumir em uma só palavra: crise.

 

Nilton Göedert

Diretor da empresa

RG Contadores Associados